O desafio do preconceito na Cartomancia
- Reduto Místico

- 11 de abr.
- 5 min de leitura
Atualizado: 2 de jun.
Se você estuda ou trabalho com oráculos, em algum momento sofrerá preconceito. A não ser que você guarde este segredo a sete chaves.
É quase o mesmo preconceito contra posições políticas e religiões, só que um pouco pior. Tudo que é de ordem esotérica e mística sofre ataques de todos os grupos.
De um lado, existe o ataque de alguns ateus. Uma parcela que exige comprovação científica e matemática para tudo, e por isso se julga superior intelectualmente. De outro, o ataque de fanáticos religiosos. Uma parcela presa a livros sagrados, que acredita piamente que qualquer coisa fora das páginas é perigosa, mentirosa, ilusória, maligna. Pessoas que vão estufar o peito para dizer que Deus existe sim, que a alma é eterna sim, que o sagrado opera milagres reais. Mas a sua intuição, a sua prática oracular? Não, isso é mentira, isso é enganoso, isso não existe. Só Deus sabe o futuro.
Os seres humanos tentam prever o futuro o tempo todo, e isso é natural. Quem vai ganhar a copa? Quem vai ganhar o reality show? Serei promovido depois desse projeto? Fulano vai gostar do meu presente? E para isso, usam dados diversos: o comportamento do outro, estatísticas, expressão corporal, aceitação do público, afinidade entre outros. Ou seja, isso não é algo místico e bizarro, mas parte da curiosidade humana.
Prever o futuro não é só prever o destino, aquilo que já está programado para acontecer. Prever o futuro é também prever os desdobramentos do presente, e isso pode sim mudar.
Se você trair o seu parceiro hoje, qual a chance dele te perdoar quando descobrir? Não é como jogar uma moeda para o alto, onde a chance é sempre 50/50. A chance vai depender de algumas variáveis: a personalidade dele, o momento da relação, de que forma ele vai descobrir etc.
No momento da consulta, por meio de orações e mentalizações, o oraculista estabelece uma conexão com o outro. As cartas deixam de ser meros pedaços de papel com símbolos e passam a ser ferramentas que traduzem ou captam o invisível: intenções, emoções, dores, bloqueios, traumas e a repercussão das escolhas atuais. É uma leitura de tendências baseada no que a alma está emanando. Em alguns casos, também surgem insights vindos de mentores extrafísicos.
Em outras palavras, é identificar quais variáveis estão em jogo (variáveis subjetivas) e o peso de cada uma dentro daquele momento da consulta. Um parceiro pode reagir mal à uma traição não só pelo ato em si, mas porque isso ativa um trauma de infância que ele nunca contou a pessoa alguma.
De qualquer forma, é visível a raiva no discurso de algumas pessoas no que se refere a previsões de futuro. Afinal, se uma pessoa comum conseguiria obter esse tipo de conhecimento, se uma pessoa comum conseguiria acessar o divino na solitude do próprio quarto, as hierarquias religiosas perderiam força. O monopólio celestial cairia por terra.
Inclusive, essa é uma ideia que já ouvi diversas vezes na vida. A ideia de que apenas tal pessoa especial teria poderes mediúnicos. Geralmente, alguém que morreu pobre e abdicou de uma vida normal. Por que seu irmão ou vizinho, que é alguém absolutamente comum, teria a capacidade de ter sonhos premonitórios, por exemplo? Não, isso é mentira.
Estudar um oráculo exige um certo tipo de coragem. Você precisa aceitar que está do lado de uma minoria. Mas é uma minoria que questiona se a verdade está mesmo limitada a um único livro antigo, escrito por seres humanos, falhos.
A verdade está espalhada por aí, em diferentes vivências e vertentes.
Sim, muitas pessoas vão te olhar torto quando descobrirem. Outras, tentarão te “salvar", alertando que o que você estuda é diabólico, um absurdo ou que não serve para nada.
Entretanto, o tempo vai mostrar o contrário.
Jogar cartas te deixará mais atento. Você passará a prestar mais atenção na sua intuição e nos sinais sutis da vida. Você tomará mais cuidado com as pessoas e seus comportamentos contraditórios. Você se livrará de algumas ciladas. Você entrará em contato com a espiritualidade por meios não convencionais. E com uma certa frequência, receberá puxões de orelha, do seu eu superior ou mesmo da espiritualidade.
Por muitos anos, não contei a ninguém que eu estudava cartas. Não queria dar explicações, queria ser deixada em paz. Com o tempo, todos acabaram descobrindo. Felizmente, a reação foi tranquila, pois eles simplesmente não ligaram.
Existe uma clara divisão na minha família. Convivo com céticos, que não acreditam em nada e ainda consideram espiritualidade uma bobagem. Para eles, eu jamais devo citar o que estudo ou faço, senão rola discussão. Ao mesmo tempo, convivo com pessoas que não se interessam pelo assunto, mas respeitam e, às vezes, até me apoiam. E convivo com uma pessoa de altíssima sensibilidade, que considero médium. Alguém de mente aberta que vive na pele a famosa frase: “há mais mistérios entre o céu e a terra”.
Essa familiar já passou por diversas situações que não parecem mera coincidência. Certa vez, ela sonhou com uma mulher falecida que nunca tinha visto na vida. No sonho, esse espírito pedia ajuda para avisar uma parente viva sobre a localização de um documento importante. A falecida detalhou o lugar da casa, a gaveta específica e os nomes dos envolvidos. O grande problema é que minha familiar não fazia ideia de quem eram aquelas pessoas! Para resolver isso, a mulher do sonho mandou que ela procurasse a ex-sogra, a única ponte possível na história. Ao acordar, minha familiar ligou para a ex-sogra e perguntou se aqueles nomes faziam sentido. A ex-sogra, surpresa, confirmou tudo e ligou para as pessoas envolvidas, repassando o aviso. A pessoa que buscava o tal documento ficou estupefata, pois encontrou o documento exatamente no local indicado.
Existem coisas na vida em que você só acredita vendo ou vivenciando. Até lá, você acha que é mentira, bobagem, exagero ou mera crença.
Mas, mesmo assim, entenda. A nossa ferramenta de trabalho não é científica. Não tente convencer ninguém. Vai ter dia em que o seu ego vai coçar para entrar numa discussão gigante. Mas não vai adiantar. Normalmente, as pessoas não estão dispostas a mudar de opinião. É perda de tempo. Salve a sua energia para coisas mais úteis.
Nós ainda vivemos em um mundo cético. Parece contraditório, certo? Afinal, cerca de 90% da população brasileira declara alguma religião ou crença espiritual. Só que essa crença ainda é restrita a dogmas e tradições engessadas, que não estimulam o senso crítico e invalidam a experiência individual.
Viva a sua verdade e não espere validação.
Mais cedo ou mais tarde, todos sofrem algum tipo de preconceito na vida. O preconceito com oráculos é só mais um desafio terreno. Todos nós vamos morrer e descobrir a Verdade lá na frente. Enquanto isso, invista naquilo que te faz bem.





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